sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Carpe Diem


   Disse um filósofo famoso do início do século xx, Ludwig Wittgenstein (Áustria, 1889-1951), que a realidade é construída através das palavras: «As fronteiras da minha linguagem são as fronteiras do meu universo.»
   A nossa realidade, boa e má depende de circunstâncias que não controlamos, mas pode ser modificada pela forma como narramos, aos outros e a nós mesmos. Se atentarmos nas frases «sou uma pessoa incapaz» e «sinto-me incapaz para esta tarefa», estaremos a construir uma realidade profundamente diferente e a munirmo-nos de recursos que, se usarmos a primeira fase para nos descrevermos, nem nos daremos ao trabalho de querer descobrir.
   O sofrimento e o mal-estar são também produto desta forma de ver a nossa forma de estar no mundo. Quantas oportunidades, momentos de felicidade, opções, recusamos a nós mesmos por crermos que o sofrimento nos é mais útil? Ou por não sabermos como nos afastarmos dele?
   Friedrich Nietzsche, um filosofo alemão (1844-1900), disse um dia que «aquilo que não nos destrói fortalece-nos». O sofrimento, nosso ou dos outros, pode ser útil, na medida em que nos permite progredir, fazer novas aprendizagens e generalizar conhecimentos então aprendidos. Todo o sofrimento pode ser convertido em força e sabedoria, se essa for a nossa vontade. São inúmeros os exemplos daqueles que tendo experimentado situações de sofrimento extremo, físico e psicológico, utilizaram as aprendizagens que fizeram, muitas delas à sua custa, para organizar grupos de apoio, de partilha de experiências e aprendizagens, mostrando com isso a «inutilidade do sofrimento». A morte de um filho é talvez um dos acontecimentos de vida mais marcantes e promotores de sofrimento para qualquer família. Prolongar o luto, porque precisamos de prolongar o sofrimento, não nos permite viver. Existem grupos de pessoas que foram capazes de ultrapassar o sofrimento e transformá-lo numa mais-valia, na medida em que a organização de grupos para a partilha de experiencias serviu para melhorar a sua situação e a de outros que os procuraram. Para tal precisamos de superar o sentimento de auto piedade, e a visão de que o controle nos é externo, sendo nós vítimas da maldade de terceiros e/ou do destino, o medo do fracasso.
   O s chineses, e também os japoneses, cuja escrita é composta por conceitos, por oposição a letras, escrevem a palavra crise, incluindo o carácter que expressa a noção de perigo, e associam o de oportunidade. Se entendermos situações de risco como uma oportunidade para desafiarmos as nossas fraquezas podemos crescer no processo.
   Carpe Diem, aproveita o dia, porque o passado já era, e o futuro ainda não chegou!
Catarina Mexia
Psicóloga Clínica e Terapeuta Familiar

2 comentários:

  1. Obrigada Luis.
    Muito interessante!
    Abraço

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  2. Obrigado eu Augusta por teres passado por aqui e deixares o teu comentario

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