quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Gosto de ...

Gosto de café. - Gosto de crianças educadas. - Gosto de sentir que gostam de mim. - Gosto de música. – Gosto de camiões. – Gosto de motas. - Gosto de grão com bacalhau. - Gosto do cheiro da terra molhada. -Gosto do mar. - Gosto de praia. - Gosto de dias de sol e calor. - Gosto de estar na cama a ouvir a chuva lá fora. - Gosto de lareiras acesas e conversas longas. - Gosto de andar de mão dada na rua. - Gosto de conversar. - Gosto de acordar ao lado da minha mulher. - Gosto que me levem o pequeno-almoço à cama. - Gosto de viajar. - Gosto de chegar a casa e relaxar. - Gosto de rir. - Gosto de fazer rir. – Gosto de anedotas. - Gosto de oferecer flores. - Gosto de pessoas interessantes, originais, simpáticas, com classe, bonitas, com ideias próprias, persistentes e com bom coração. - Gosto de sonhar. - Gosto de pontualidade. - Gosto de cinema. - Gosto de perfumes suaves mas que fica o cheiro quando a pessoa sai da sala. - Gosto de carne. - Gosto de sentir que mais nada existe quando estou com a pessoa que amo. - Gosto de Ouro. - Gosto de me deitar em lençóis a cheirar a amaciador. - Gosto de tomar banho antes de ir para a cama. - Gosto de beijar. - Gosto de fazer amor. -Gosto de almoçar à beira mar. - Gosto de jantar à luz das velas. - Gosto de divagar. - Gosto de mimos. - Gosto de saber que ajudei alguém de qualquer forma. - Gosto de abraços apertados. - Gosto de fazer surpresas. - Gosto de cantarolar músicas durante o dia. - Gosto de sentir boa energia nas outras pessoas. - Gosto de cartas de amor. - Gosto de sorrisos sinceros. - Gosto de gargalhadas. - Gosto que me olhem nos olhos. - Gosto do nascer do Sol. - Gosto de trocar ideias. - Gosto de morar na aldeia. - Gosto do silêncio e do som dos pássaros. - Gosto do correcto. - Gosto de olhar os outros e traçar o perfil - Gosto de igrejas. - Gosto de receber sms. - Gosto de ler. - Gosto do riso dos bebés. - Gosto de tascas e de restaurantes de luxo. - Gosto de desafios. - Gosto de pessoas um pouco loucas como eu. - Gosto de gelados. - Gosto touros. - Gosto de morangos e uvas. - Gosto muito de sonhar. - Gosto de tentar perceber o que vai na cabeça dos outros. - Gosto do cheiro do campo. - Gosto de admirar quadros de grandes pintores. - Gosto de fazer e que me façam massagens. - Gosto de beijos envolventes, intensos e de parar a respiração. - Gosto do azul do céu e do azul do mar. - Gosto de nadar. -Gosto de ir à piscina. -Gosto de ...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

1 ano

Era novo, praticamente um adolescente como outro qualquer, descobrindo a realidade da vida. Tinha as minhas decepções amorosas, notas razoáveis e momentos de alegria, muitos de tristeza, mas nessa confusão toda de sentimentos e sem com quem contar encontrei um amigo, companheiro, um consolo. Nem me lembro quando o conheci, acho que nascemos e crescemos juntos. Criava-me sensações divinas e todos os meus problemas se transformavam em risos. Na verdade nem me lembrava deles. Ao fim de toda essa sensação, este estado de alegria, tornamos amigos inseparáveis. Para tomar decisões importantes consultava-o sempre. E passaram-se dias, semanas, meses, anos e estávamos lá sempre que preciso, ele lá estava para me ajudar eu e ele juntos. Qualquer motivo era para estarmos juntos, por consolo ou comemoração. Com ele eu era o que queria ser. Um ser pleno de interioridade, brilhante como um sol. Era uma irrealidade no mundo real.

Tempos ouve quem me avisa-se, éramos amigos íntimos demais, era má companhia. Todos estavam contra mim, contra nós dois. Foi percebendo que o meu amigo estava a de certa forma a controlar e a baralhar os meus mais que baralhados sentimentos. Mas pouco liguei e o tempo passou e tudo continuou. Quando era preciso ele lá estava, encontrávamos mais às escondidas. Com o tempo fui vendo aquilo que nunca quis ver, era melhor cortarmos relações, ele nunca me controlou a vida mas era melhor ir cada um para seu lado, sabia que era difícil, pois amigo tão antigo e tão bem camuflado que ninguém nota não se vai embora assim só por ir. Mas com mais ou menos ajuda consegui e hoje faz um ano que não nos encontramos, embora ninguém se lembre, embora muitíssimos poucos saibam. Eu sei! Eu lembro-me! Sinto um misto de sensações, não sei se é motivo para ficar triste, escrevo mas não consigo dizer o seu nome, ou feliz por ter passado um ano sem ele. Vejo-o todos os dias mas não lhe ligo Mas sinto-me bem quando me lembro, afinal é um ano e não custou assim muito.
Agora só falta esperar pelo próximo ano e saber quantos mais anos vamos ficar separados. Viva eu!!!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Vida...

Que se lixem as poesias, os textos bonitos. As histórias encantadas, que se lixem as princesas, os príncipes e as fadas e os finais…
A vida não é bonita nem feia, nem feliz nem infeliz na sua generalidade.
A vida não é fácil, nunca ninguém disse que era. Mas também ninguém disse que era tão difícil.
A vida também não é bonita. Nem tão pouco feliz. A vida é dia e noite. É qualquer altura onde existe ser, razão para ser, onde poder ser e onde tiver de ser.
A vida é nascer. É sorrisos e alegrias. São muitas coisas bonitas que sem as coisas feias não seriam tão bonitas.
A vida é uma morte lenta, é a noite sendo ainda dia. É a tristeza e as lágrimas. São muitas coisas feias que sem as coisas bonitas não seriam tão feias.
A vida é quase nada. A vida é tudo.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O sentido

Qual é o sentido da vida, da existência? Qual é a essência que nos mobiliza? Queremos não querendo, desejamos, não desejando, sem saber realmente para onde nos encaminhamos. Cada momento pode ser determinante no percurso de vida; quando fazemos uma opção desconhecemos a multiplicidade de caminhos paralelos alternativos, jamais saberemos se esta realidade é realmente a melhor. O que fazer então? Viver cada momento e tirar partido dele, como se do último se tratasse, mas claro, sem comprometer os que se seguem... será isso realmente possível? Por outro lado, as realidades paralelas não são cruciais, têm importância na medida em que nos são úteis e nos fazem felizes, caso contrário, podemos abrir mão delas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Opinião de um Zé Povinho

Sempre segui o processo Casa Pia com alguma atenção e curiosidade. Com arguidos famosos e cometidos tão horrendos crimes, e sabendo nós no país em que vivemos, só podia ter alguma curiosidade em saber o final desta telenovela tipicamente portuguesa. Uma conclusão de entre várias, eu tirei; os jovens casapianos foram abusados sexualmente, por quem?! Não sei! Os condenados juram pela alma das mãezinhas deles que não foram, deve ter sido obra de fantasmas ou espíritos.
Foram 5 anos de julgamento. Foram ouvidas centenas e centenas de testemunhas. Foram atirados nomes de pessoas para o ar que talvez nada tinham que ver com o processo, mas outros talvez tivessem a ver. Os magistrados foram postos em causa do primeiro ao último dia. Os advogados, como era de esperar, contribuíram mais do que ninguém para o atraso do andamento do processo. Os arguidos viram as suas vidas adiadas. As vítimas ficaram a aguardar. O país inteiro especulou, difamou e, mais do que tudo, duvidou. Duvidou e continua a duvidar, e é este o principal problema deste processo - a dúvida.
Todo este processo fez crescer questões legítimas. Não me lembro de um tempo em que não se dissesse "isto está tudo mal" ou "os poderosos safam-se sempre" ou outras larachas do género. A verdade é que, com este caso, há questões que fazem todo o sentido. A dúvida está instalada. Ela é, agora, objectiva e inevitável. Não há alteração de legislação, mudança de liderança ou reforma do sistema que safe a imagem da Justiça do nosso Portugal, como dizem os mais melancólicos “deste belo cantinho à beira mar plantado” que nestes caso mais parece o cu da Europa. Se o cidadão não acredita e rejeita a Justiça, ela não existe.
Chegados ao fim da primeira parte, pois, pois! Agora vêm uma parafernália de recursos para instâncias superiores, corre-se o risco de prescrever. Resta-me pensar aquilo que verdadeiramente me preocupa em concreto; Será que a justiça existe mesmo? Ou não será uma mera vã palavra? Serve para quê? Haverá pessoas acima da justiça? Quem tem dinheiro, pode contornar a justiça?



segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A sobriedade da comida

A virtude da sobriedade e da temperança tem como propósito meter ordem interior em nós, regular-nos do que é certo e errado. E manifesta-se de várias maneiras: na bebida, na curiosidade, na imaginação, nos sonhos (utopias), nas acções na vida em sociedade e ao sermos sóbrios na comida, etc, etc. Normalmente associa-se mais a sobriedade ao álcool. Mas penso que sobriedade também se coaduna com os excessos na alimentação, se assim não for corrijam-me. O principal efeito da virtude da sobriedade na alma é a paz, uma paz profunda, de quem é o senhor de si.


Nem todos os piropos ouvidos por uma mulher vão resultar em namoro ou casamento, nem todas as horas são para serem passadas deitados na cama, nem todas as coisas são para ser deixadas para fazer "depois" ou amanhã ou quando calhar, nem todas as sugestões da moda são para ser seguidas, nem todos os boatos são para se levados a serio. Ou seja, nem tudo que é experimentado ou proposto ao nosso corpo e à nossa mente vai tomar-nos sem controlo. Nem tudo o que se pode fazer se deve fazer.

Por isso, por vezes é mais cómodo ou mais fácil deixar-se arrastar pela gula, imaginação, luxúria, curiosidade, preguiça, comodismo, etc. Do que fazer o dever, o que custa ou simplesmente controlar-se. Mas o senhor de nós mesmos é a essência de sermos nós mesmos a decidir e não o que o condicionamento ou o vício modelaram.

Há quem prefira justificar-se considerando natural e normal o "deixar-se" levar ou arrastar-se; ou para não se reprimir, ou porque é mais moderno fazer o que se quer quando se tem vontade, etc. Mas ao final esse caminho da falta de sobriedade na comida só leva à tristeza, à depressão e à própria redução pessoal.


domingo, 22 de agosto de 2010

Excessos da vida quatidiana

Ao ver um programa no Discorvery sobre a vida quatidiana do ser humano fiquei a pensar se será que estamos satisfeitos com o modo como vivemos hoje? A resposta a esta pergunta na minha opinião, tem a ver com o modo como conduzimos a nossa vida, se somos hipnotizados pelos apelos do consumo.


Já repararam como há uma variedade de ofertas para cada coisa que fazemos? A vida parece um grande supermercado onde existe um sortido rico muito grande de coisas para escolher. Isso não está relacionado somente a uma variedade de produtos no mercado. Há também uma variedade de ideias, de concepções morais, de religiões. Podemos ir mais adiante. Essa variedade reflecte-se nos excessos que acontecem à nossa volta. Excessos de violência, de informação, de alternativas, de diferenças, de preferências...

A diversidade não é ruim de todo, mas o excesso tem causado uma séria crise: a oferta tem sido maior que a nossa capacidade de assimilar. E isso tem provocado um certo medo tomar decisões, de fazer escolhas. O receio de fracassar ou de tomar uma decisão agora e depois deparar-se com uma situação melhor.

As maneiras como se constitui a sociedade contemporânea, todos os apelos destinam-se a criar sentimentos de desejo ou aversão nas pessoas. Ir atrás de coisas novas ou diferentes nunca satisfaz, e jamais teremos a satisfação se entrarmos num ciclo interminável de ganhar e gastar, de desejar e de arrepender.

O antídoto para o sentimento de ansiedade provocado pelos excessos é o contentamento.

O contentamento não é o resultado de fazer ou ter. Não basta reorganizar a vida somente do lado de fora, adoptando um estilo de vida isento do consumismo, o que é impossível. Vale a pena adoptar um estilo de vida mais simples, ter uma dieta mais natural, diminuir o de prestações, reduzir as dívidas, reservar mais tempos com os amigos e família, etc, etc...

O contentamento é uma experiência interior, um modo de ser, que não é dominado pelos apelos exteriores.

O que pode causa insatisfação na vida das pessoas é a projecção, que é o erro de atribuir um aspecto, negativo ou positivo, da nossa vida interior a alguém ou algo exterior. Como se transferíssemos para os outros ou para outras coisas a responsabilidade de sermos felizes ou infelizes. E por conseguinte leva-nos a elogiar ou a culpar pessoas. Projectamos nos outros atributos negativos (preguiçoso, ganancioso, invejoso, covarde, etc.) e positivos (confiável, amoroso, fiel etc.). Movidos por essa projecção, agimos de modo emocional, compulsivo e desproporcional por vezes. A maneira de superar as projecções e parar de culpar o mundo pela sua insatisfação é aceitar honestamente como somos, aceitar a realidade da nossa vida.

Outro factor é termos uma visão distorcida de como realmente somos, quando pensamos e agimos como se fôssemos mais do que realmente somos, cheios de expectativas e até mesmo de arrogância. Logo a vida quotidiana leva-nos a uma inflação, voltada para o progresso, para o consumo, para o excesso. Todas as vezes que nos inflamamos, pagamos um preço. Toda a inflação é seguida de uma deflação, que é uma visão de nós mesmos só que em menor tamanho daquilo que realmente somos, um sentimento de insuficiência, de negatividade, de alienação, de solidão.