terça-feira, 25 de maio de 2010

O livro da vida



Encontrei este texto e ao lê-lo fiquei com uma sensação de deja vu:
Entre a consciência e o sonho, deparei-me com uma grande sala.
Ao aproximar-me, apercebi-me de um guardião na porta que me disse.
- Ninguém pode entrar aqui. Aqui estão guardados os "LIVROS DA VIDA". Aquele que conseguir passar por esta porta  poderá  ter acesso ao seu livro e modificá-lo a seu gosto.
A minha curiosidade era grande! Afinal eu poderia escolher o meu destino. Com a minha insistência o guardião resolveu ceder um pouco e disse-me:
- Está bem. Dou-te cinco minutos, e nem mais um segundo.
Eu nem acreditava! Cinco minutos era mais do que suficiente para que eu pudesse decidir o resto da minha vida, afinal, poderia apagar e acrescentar o que eu quisesse no "LIVRO DA MINHA VIDA".
Entrei e a primeira coisa que eu vi foi o Livro da vida do meu vizinho da frente. Não aguentei de curiosidade. O que será que estava escrito no Livro da vida dele? O que será que o destino reservava para aquela pessoa? Abri o Livro e comecei a ler. Não me conformei. Verifiquei que a sua vida lhe reservava muita coisa boa e não tive dúvidas. Apaguei algumas coisas boas e reescrevi o seu destino com algumas coisas más.
Logo vi um outro livro. De um colega de trabalho que eu  não gostava muito e fiz a mesma coisa...
De repente deparo-me com o meu próprio livro!
Nem acreditei! Este era o momento... Iria mudar o meu destino... Iria apagar todas as coisas más e iria reescrever só coisas boas... Eu seria a pessoa mais feliz do mundo!!!
Quando peguei no Livro, eis que alguém bate no meu ombro:
- O SEU TEMPO ACABOU! PODE SAIR!
Fiquei atónito!
- Mas eu não tive tempo nem de abrir o meu livro!!!
- Pois é -disse o guardião. Eu dei-te cinco minutos preciosos e poderias ter modificado o teu livro, mas, só te preocupaste com a vida dos outros e não tiveste tempo de ver a tua.
Abaixei a minha cabeça, cobri a face com as mãos... E saí da sala...
 

 Muitas vezes  preocupamo-nos com a vida alheia e acabamos por esquecer de cuidar da nossa própria vida... Quer no bem quer no mal...

Dá que pensar um pouco... Se não for difícil...

domingo, 16 de maio de 2010

Sensação de solidão

Muitas das vezes me pergunto a mim mesmo: "Qual será o propósito da minha vida?"
Até hoje nunca consegui encontrar resposta alguma que me satisfaça.
Vou escrevendo para desabafar as minhas dores emocionais neste blogue e como um meio de partilha com quem  possa sentir e achar o mesmo que eu, e, também porque pelo menos assim não me sinto tão sozinho
Às vezes estou de bem comigo, mas de repente, basta uma atitude, um gesto de alguém próximo ou mesmo a ausência de gestos, para vir à tona uma sensação de mau estar, de frustração.
Começou na quinta-feira na aula e hoje foi coroar desta sensação. Parecem que vagueiam "vozes" na minha cabeça mandando-me abaixo, diminuindo a fraca auto-estima, e, depois forma-se uma lei da atracão, pensamentos uns atrás dos outros a virem à tona.
Tenho a impressão que nada do que possam dizer ou fazer vai conseguir mudar esta sensação de vazio. As palavras meigas e carinhosas que por vezes me dizem de pouco valem, para me tirar este sabor amargo da solidão. Nunca nada vai mudar.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Coisas boas da vida

Estar apaixonado.
Rir até sentir as maxilas a doer.
Um bom duche, com agua a correr com força.
Um supermercado sem filas.
Um olhar especial.
Receber um sms bonito sem esperar.
Conduzir numa estrada bonita.
Ouvir a nossa música preferida no rádio.
Uma boa conversa.
A praia e a piscina.
Jogar à bola.
Achar uma nota de 10€ esquecida no bolso de trás das calças.
Rir de nós mesmos.
Rir sem absolutamente razão nenhuma.
Ter alguém para te dizer que é bonito e simpático.
Rir por alguma coisa que nos lembramos.
Os amigos.
Ouvir acidentalmente alguém falar bem de nós.
Acordar e perceber que ainda faltam algumas horas para dormir.
Fazer novos amigos ou ficar junto dos velhos.
Conversas ao serão com amigos.
Alguém brincar com o meu cabelo.
Bons sonhos.
Viagens e passeios com a família.
Beijar na boca.
Ir a um bom conserto.
Vencer um jogo difícil.
Passar o tempo com os amigos.
Ver os amigos sorrir ou a rir.
Segurar as mãos de um amigo.
Encontrar com um velho amigo e descobrir que têm coisas que nunca mudam.
Ouvi dizer “eu gosto de ti” de quem se ama ou de um amigo.
Abraçar a pessoa que você ama.
Ver a expressão de alguém que ganhou um presente que queria muito.
Ver o nascer do sol.
Deitar ao final do dia e agradecer a Deus pelo dia que passou…

A vida também tem coisas boas!!!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A simplicidade da felicidade

A felicidade é muito simples, assim dizem os entendidos, resume-se a incorporar a criança feliz que fomos no nosso interior novamente, fazer as coisas que temos que fazer diariamente, como fazíamos nossas obrigações infantis. Com alegria, com entusiasmo, independente de qual situação passamos. Confesso que concordo com esta perspectiva. Se olharmos para uma criança a brincar com os seus amigos, vemos que ela corre, cai, brinca, briga por alguns momentos, magoa-se, mas nenhuma sensação ruim dura mais que cinco minutos. Ela simplesmente deixa passar, sem guardar mágoa ou rancor, e logo volta a brincar e a divertir-se de novo. Logo volta a sorrir com algo novo que descobriu.
A nossa vida adulta seria mais simples, se estivéssemos preocupados com as coisas novas que descobrimos, não guardando magoa nem rancor do que nos acontece, e vendo cada queda, cada arranhão, como uma oportunidade de aproveitar e aprender a viver sempre o melhor da vida…
Em criança subi em árvores, corri, pulei muros e roubei fruta nas fazendas. Tenho cicatrizes que provam minha infância, e hoje, mais maduro, entendo que se tivesse visto as cicatrizes que adquiri actualmente, nas quedas da vida adulta, como via um arranhão quando era criança, teria aproveitado mais cada momento.
Tento ser feliz hoje, despertei a criança interior que vive em mim, despertei a alegria de viver que tinha quando brincava na infância, após muito tempo deixando a vida endurecer-me. Decidi mudar esta forma de pensar, de ver o lado positivo em cada queda, de aprender a sorrir quando a raiva, o desgosto e a magoa tomam conta de mim..
Ver a beleza em coisas simples, ver a beleza em um sorriso espontâneo, ver a beleza em momentos, e fazer de cada momento um momento feliz. A felicidade não é um sentimento eterno e fixo, a felicidade tem movimento, vai e vem, e aprender a viver este movimento é a chave de ter uma vida melhor. A felicidade é como a perfeição. A perfeição pode ser descrita como o mar, ou como o céu, sempre em mutação, sempre em movimento. Se aprendemos a nos movimentar, talvez aprenderemos a ser felizes, a viver melhor.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.


O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...


Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.


Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!


Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.


O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa


Para todos os stressados...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pensamentos III


É preciso não pensar na idade mas vive-la, é preciso antes de tudo encontrar a paciência, suprir a necessidade da mente em busca do dia-a-dia na consciência de entender que podemos e devemos lutar para vencer, mesmo que, já tivesse sido derrotado alguma vez, mas, sem nunca perder as esperanças.
Porque o comodismo é uma total ineficiência que provoca o transtorno dos sentimentos que ajudam a encontrar o caminho para paz.
A vida é todo um espaço de tempo que temos para pensar no momento em que estamos consciente do que fazemos em benefício do amanhã.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Impróprio para consumo

Nunca sentimos, na vida real, a felicidade que acreditamos existir. Nossa crença nela é justificada pela fachada sorridente dos outros, assim como eles acreditam na nossa. Por isso é comum tantos viverem em função da felicidade alheia. Todos sempre sorrindo, muitas vezes infelizes. Enganam-se e vivem uns pelos outros em nome de uma felicidade que não sentem. Como pensamos que a felicidade é a única coisa capaz de justificar a vida, tornamos obcecados em ser úteis. Buscamos acreditar que os outros são felizes para que isso justifique nossas vidas, ao menos como um meio para a imortal felicidade que de nós sempre se esconde.
Trata-se da projecção de nossas expectativas nos demais, e esse é o motivo pelo qual a felicidade sempre se encontra do lado de lá, pensamos que os outros podem ser felizes como nós gostaríamos de ser. Sabendo disso, voltamos a eles, fazemos um favor qualquer, e eles sorriem-nos uma prova de que a felicidade existe. Dela fazemos parte porque de nós veio o favor. As nossas mentiras, umas vezes reflectidas nos outros, tornam-se verdades, também a felicidade é regida pelo princípio da hipocrisia suficiente
Sentem-se miseráveis, mas acreditam que nós sejamos felizes. Se eles vivem para nós, e nós para eles, onde está a felicidade? O círculo rompe-se porque não conseguimos nos enganar sorrindo para nós próprios. A solidão muitas vezes cai sobre as nossas cabeças como uma prova irrefutável de que ser feliz é um paradigma muito complexo.