sexta-feira, 2 de abril de 2010

A morte

NÃO SOMOS AFECTADOS PELAS COISAS…
A morte coloca-nos diante da mais simples verdade, e da única certeza absoluta que temos, nem mesmo o mais céptico pode duvidar. A dor que nos dilacera nestes momentos, o chorrilho de pensamentos não cabem em palavras. O que dizer a quem perdeu um ente querido? Não é fácil. Por mais sincero que seja o que proferimos em tais circunstâncias, não é suficiente para aliviar a dor e ainda pode soar formal.
A morte também é elucidativa. Ela ensina, mostra o quanto somos frágeis e explicita a efemeridade da vida. Não podemos confiar no amanhã, pois nada nos garante que estaremos vivos. No entanto, precisamos nos iludir, pois é insuportável imaginar a ausência do ser no dia que segue. Devemos valorizar cada segundo como se fosse o último.
Falo disto porque faleceu alguém das minhas relações, da minha idade, e  ao que parece o único motivo que teve para falecer foi o facto de estar vivo, pois sentiu uma dor e caiu para o lado, nada mais simples. Sem dar conta parei para pensar, o quanto é o tamanho da minha mesquinhez, passo o tempo com lamechas e coisa insignificantes, quando devíamos preocupar-nos em viver, pois pode-se perder a vida enquanto Deus pestaneja os olhos.
Infelizmente só pensamos na morte quando morre algum conhecido. Quando isso acontece num círculo mais próximo é possível constatar a falta de preparo que todos temos para lidar com o assunto. São dezenas de dúvidas de todos os tipos, desde aquelas bem práticas até as existenciais. O facto é que não estamos preparados para ela nem queremos estar.


quinta-feira, 1 de abril de 2010

Porque escrevo...

Eu escrevo porque sinto necessidade de escrever. Escrevo porque por vezes estou irritado com o Mundo. Escrevo porque me sinto sozinho, talvez eu escreva porque espero entender como sou. Escrevo porque gosto de ser lido, porque gostava de ser útil. Escrevo porque a passividade que preenche as palavras depois serão lidas com firmeza, porque o valor que têm permite-me reinventá-las ao sabor da minha imaginação, escrevendo triste para depois as ler feliz. Às vezes escrevo algo profundo e reflexivo, noutras simplesmente o que me vem á cabeça. Mas o facto é que escrevo para expressar melhor as minhas ideias a mim mesmo, mesmo que ninguém leia. É como se na minha cabeça produzisse muitos pensamentos que preciso encontrar um lugar para serem arrumados e necessitassem da aprovação de alguém. Enfim, sinto necessidade de desabafar de quando em vez. Não acho, aliás, que estou a fazer alguma coisa muito importante ou que tenho opiniões muito originais.
Escrevo porque desejo escapar do mau presságio de que há um lugar aonde eu devo ir, mas onde, como num sonho, ainda não cheguei por completo. Escrevo porque não consigo ser mais ninguém que não eu próprio. Eu escrevo porque sonho.
E vocês, escrevem porquê?

terça-feira, 30 de março de 2010

Desilusão


Tentei encontrar o significado do que sinto, de como me sinto, desiludido! Mas, nenhum sinónimo, nenhuma explicação consegue transmitir na íntegra como me sinto, estou mesmo danado. É, agora sinto-me assim, desiludido comigo por permitir que me deixe ficar assim mas, poderia eu evitar a desilusão? Não sei! Maior que a desilusão é não ser capaz de conseguir, de falhar, de perceber o porquê, não entender a razão, não ter explicação para tal. Sem nada que faça prever (e isso ainda dói mais) surge uma fenda que depressa se torna num buraco enorme e tudo continua igual, e, tudo isso me revolta ainda mais.
Desilusão é talvez resultado de ilusão. Provavelmente iludi-me, imaginei o que não sou, o que quero ser, imagino na ilusão a minha “salvação” e, com tudo isto ainda mais perto do abismo fico. A vida é mesmo assim, feita de ilusões e desilusões que nos ajudam a crescer, a aprender e, de todas as que tenho tido tento ver sempre o lado positivo, mas todas elas me tornaram naquilo que sou hoje, ciente do que sou capaz, mais pouco determinado e com muito medo. Fico mesmo fulo quando estou assim, que merda pá! Bem! Já desabafei o que sinto neste momento, estou ligeiramente aliviado, já passa! 


segunda-feira, 29 de março de 2010

Preciso de alguem...


Achei fenomenal:
"Preciso de alguém que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
E, ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado;
Alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.
Nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia nessa coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um Amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja muito pouco para suas necessidades.
Preciso de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias, nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo: "Nós ainda vamos rir muito disso tudo " e ria muito.
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher meu Amigo.
E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma Amizade Verdadeira,
a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela . . "

Sir Charles Chaplin

quarta-feira, 24 de março de 2010

Estou farto…


Faço mais que ontem, faço mais do que amanhã e não quero saber o final. Tornei-me aquilo que não queria e temo que possa vir a tornar-me ainda mais naquilo que não quero. Sinto-me a viver uma irrealidade sozinho, onde sou o único nela, cada vez me entendo menos. Cada vez me sinto mais velho, cada vez me sinto mais igual. Trabalho desalmadamente por um punhado de tostões, estou farto e mais que farto disto, de mais de umas quantas coisas e mais de não sei o quê. Queria um punhado de tempo. Acho-me estranhamente diferente de todos, vocês apenas estão a viver a vossa vida calmamente e eu estou deste lado da janela a assistir passivamente, enquanto a minha parece-me que me passa ao lado, não vivo, apenas sobrevivo. Tento imitar-vos, ser como vocês, avanço recuando a cada pensamento, abro o meu caminho dificultando a passagem nele, chego ao fim saltitando por cada gota de pensamento positivo. Estou na ponta controversa à vossa.
O que me vale nisto tudo é que não sou o único, sou mais um.
Cheguei a conclusão, o que não foi difícil, que sou como diz o outro (o grande António Variações): “…Esta insatisfação; Não consigo compreender; Sempre esta sensação; Que estou a perder; Tenho pressa de sair; Quero sentir ao chegar; Vontade de partir; P'ra outro lugar; Vou continuar a procurar o meu mundo; Porque até aqui eu só; Estou bem; Aonde não estou; Porque eu só quero ir; Aonde eu não vou…”. Já não estou muito farto.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Mais do mesmo


Ninguém realmente é dono de nossa felicidade, nós é que construímos as nossas próprias felicidades ou infelicidades.
Somos livres, somos donos dos nossos desejos e sonhos.
Desapegar do que nos faz mal e nos impede de crescer interiormente é fundamental.
Sinto um imenso vazio, tendo eu de tudo material.
Na verdade falta algo, mas não posso viver em função dessa falta.
É reverenciando o meu interior todos os dias que os meus pensamentos vão mudando aos poucos.
É necessário acalmar o nosso interior, para encontrarmos a resposta para nossas dúvidas.
Não podemos realmente colocar a felicidade longe de nós, às vezes ela está tão perto que nem nos damos conta.
Insistimos em dar mais importância ao que perdemos e menos ao que conquistamos ou que já foi conquistado.
O sorriso é fundamental.
Sorrir com o coração, com alma, com os olhos.
O sorriso verdadeiro é realmente aprovado por todos.
Realmente não podemos exigir de ninguém o que ainda não conquistamos, e mesmo que tenha conquistado não teremos o direito de exigir, mas de pedir, exigir...
Nunca.
Infelizmente somos críticos e enquanto não formos afortunados espiritualmente seremos críticos.
Não é na lamentação, nem na oração fazendo dela um mantra ou clamando várias e várias vezes as mesmas coisas até conseguirmos o alívio das nossas dores, a paz de espírito.
Por isso viva a vida, dê uma hipótese a si mesmo para ser feliz, isso é que é importante, porque assim, poderemos alcançar a liberdade.
Escrevo sempre igual mas não consigo transpor nada para mim.

sexta-feira, 19 de março de 2010

"O MELHOR"

Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor".
Tem que ser ter o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, o melhor telemóvel, o melhor calçado, o melhor vinho.
Bom não basta! O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros para trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor".
Isso até que outro "melhor" apareça, e, é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.
Novas marcas nascem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, parece-nos superado, modesto, aquém do que podemos ter.
O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.
Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada anúncio na TV convence-nos de que merecemos ter mais do que temos. Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah! Os outros...) estão a viver melhor, a comprar melhor, a amar melhor, a ganhar melhores salários.
E não relaxamos, porque temos que correr atrás, de preferência com as melhores sapatilhas.
Não é que devemos se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente. Se não conduzo a 190, preciso realmente de um carro com tanta potência? Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de stress porque é o melhor cargo da empresa?
E aquela televisão de não sei quantas polegadas que ocupa muito espaço do meu quarto?
O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"? Aquele champô que usei durante anos tem que ser posto de lado porque agora existe um melhor e os outros usam, mas, é dez vezes mais caro? O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?
Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos tem impedido de desfrutar o "bom" que já temos.
A casa que é pequena, mas é acolhedora, no emprego que não ganhamos tão bem, mas que gostamos, a televisão que tem uns anitos, mas funciona bem. O homem/mulher que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos". As férias que não vão ser no estrangeiro, porque o dinheiro não deu, mas vou estar perto de quem amo...
O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.
O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.
Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? Ou será que isso já é o melhor e na
busca do "melhor" que nunca nos apercebemos?


Texto de Leila Ferreira